A luta do cristão contra a carne

Algumas pessoas procuram olvidar o fato do combate do cristão com a carne. Encaram a regeneração como uma transformação completa ou renovação da velha natureza. Segundo este princípio segue-se, necessariamente, que o crente não tem nada com que lutar. Se a minha natureza é renovada, contra o que tenho de lutara Não há nada com que lutar no íntimo, visto que a minha velha natureza está renovada, e nenhum poder exterior pode prejudicar-me, porquanto não há nada que lhe corresponda no meu íntimo. O mundo não possui atrativos para aquele cuja carne foi inteiramente transformada, e Satanás não tem com que ou sobre que possa atuar. Pode dizer-se a todos aqueles que sustém esta teoria que parece esquecerem o lugar que Amaleque ocupa na história do povo de Deus. Tivesse Israel concebido a ideia que, uma vez destruídas as hostes do Faraó, o seu conflito havia acabado, e teriam sido tristemente confundidos quando Amaleque veio sobre eles. O fato é que o conflito deles começou só então. Assim é para o crente, porque…

… Tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, 1 Co 10:11

Porém não poderia haver nenhuma “figura” nem “aviso” em “tudo isto” para aquele cuja velha natureza fosse feita de novo. Com efeito, uma tal pessoa teria muito pouca necessidade de qualquer dessas provisões graciosas que Deus preparou no Seu reino para aqueles que são os seus súbditos.

Somos ensinados claramente na Palavra de Deus que o crente traz consigo aquilo que corresponde a Amaleque, a saber “a carne” — “o homem velho“, a mente carnal (Rm 6:6; 8:7; Gl 5:17). Ora, se o cristão, sentindo os movimentos da sua velha natureza, começa por pôr em dúvida se é cristão, não somente se torna a si próprio extremamente infeliz como se priva das vantagens da sua posição diante do inimigo. A carne existe no crente e estará nele até ao fim da sua carreira. O Espírito Santo reconhece inteiramente a sua existência, como podemos ver em várias passagens do Novo Testamento. Em Romanos, capítulo 6:12, lemos:

Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências.

Um tal preceito seria de todo descabido se a carne não existisse no crente. Seria inoportuno dizer-nos para não deixarmos que o pecado reinasse sobre nós, se o pecado não habitasse de fato em nós. Existe uma grande diferença entre habitar e reinar. O pecado habita no crente, porém reina no descrente.

Contudo, embora habite em nós, temos, graças a Deus, um princípio de poder sobre ele.

Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça, Rm 6:14

A mesma graça que, mediante o sangue da cruz, tirou o pecado, garante-nos a vitória e dá-nos poder sobre o seu princípio de ação em nós.

Morremos para o pecado, e por isso o pecado não tem reivindicações sobre nós. “Aquele que está morto está justificado do pecado”.

Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado, Rm 6:6-7

“E, assim, Josué desfez a Amaleque e a seu povo ao fio de espada”. Tudo foi vitória, e a bandeira de Jeová flutuou sobre as hostes triunfantes, tendo a formosa e acalentadora inscrição “Jeová-nissi”—”o SENHOR é minha bandeira”. A certeza da vitória deve ser tão completa como a compreensão do perdão, visto que as duas cosias são baseadas igualmente sobre o fato que Jesus morreu e ressuscitou. É no poder deste fato que o crente goza de uma consciência purificada e subjuga o pecado em si. A morte de Cristo havendo satisfeito todas as exigências de Deus quanto ao nosso pecado, a Sua ressurreição torna-se a origem de poder em todos os pormenores da luta. O Senhor morreu por nós e agora vive em nós. A sua morte dá-nos paz e a Sua ressurreição dá-nos poder.

Fonte: Série de Notas Sobre o Pentateuco por C.H. Mackintosh

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