A esposa deve mesmo submeter-se ao marido?

Samuel Rindlisbacher

Pergunta: “A ordem bíblica de que a esposa deve submeter-se ao marido ainda é válida hoje em dia? E quando ele nem é crente?”.

Resposta: Todo o Universo é mantido coeso pelas leis naturais. Sem elas, tudo sucumbiria no caos e a vida seria impossível no planeta Terra. A Bíblia nos diz que Deus é o Criador deste Universo e estabeleceu as leis que o regem e garantem seu funcionamento: “Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; quando firmava as nuvens de cima; quando estabelecia as fontes do abismo; quando fixava ao mar o seu limite, para que as águas não traspassassem seus limites; quando compunha os fundamentos da terra; então, eu estava com ele e era seu arquiteto…” (Pv 8.27-30). “Ou podes tu atar as cadeias do Sete-estrelo ou soltar os laços do Órion? Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco ou guiar a Ursa com seus filhos? Sabes tu as ordenanças dos céus, podes estabelecer sua influência sobre a terra?” (Jó 38.31-33). Essas ordens firmadas e estabelecidas por Deus asseguram que o Universo siga seu curso harmoniosamente.

Com o mesmo propósito, porém em um âmbito mais restrito, Deus deu à humanidade os Seus mandamentos e as Suas ordens. Quando nos norteamos por elas, torna-se possível uma coexistência harmoniosa. Quer seja o relacionamento entre marido e mulher, entre pais e filhos ou entre governos e cidadãos, a aplicação das leis e regras divinas ajudará a proteger e manter a ordem e contribuirá para o bem de todos. E todas essas ordens são uma glorificação dAquele que as criou.

Submissão é sujeitar-se a uma instância superior. Isso nada tem a ver com discriminação. Pelo contrário, representa o mecanismo na dinâmica do relacionamento. É como uma engrenagem que se encaixa perfeitamente na outra, fazendo o todo funcionar. Quando a ordem divina é obedecida, instala-se a harmonia, semelhante ao funcionamento de um relógio de precisão.

Deus espera que obedeçamos aos Seus preceitos. Se o fizermos, seremos abençoados pessoalmente e, juntamente conosco, todos aqueles com quem convivemos. O resultado de ater-se às regras bíblicas é a bênção de Deus e a paz no coração.

Das ordens de Deus também faz parte o princípio da submissão. Vemos, por exemplo, que Jesus se submetia a Seu Pai, pois Ele mesmo disse: “Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz” (Jo 5.19). Assim como o Filho se submetia ao Pai, na igreja local os membros devem submeter-se aos anciãos (segundo a Bíblia, sempre homens). Na família, as mulheres devem submeter-se a seus maridos e os filhos aos pais.

Esses princípios bíblicos foram dados por Deus para nosso próprio bem. Quando os seguimos, o casamento funciona, a família é funcional e a igreja também convive em harmonia. Isso acontece porque os princípios e mandamentos correspondem Àquele que os inventou. É como um computador, que só funciona a contento quando recebe os programas compatíveis. Somente assim ele desempenhará ao máximo todas as funções para as quais foi concebido.

As diretrizes divinas e os Seus mandamentos não têm o alvo de tolher nossa liberdade, mas servem de orientação para nossa vida e propiciam a melhor convivência entre os seres humanos.

A Bíblia diz a respeito: “Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura. Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados. Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Cl 3.18-23). Na carta aos Efésios, Paulo escreve: “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor, porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja” (Ef 5.21-25,28-29).

O apóstolo Pedro complementa: “Pois foi assim também que a si mesmas se ataviaram, outrora, as santas mulheres que esperavam em Deus, estando submissas a seu próprio marido, como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós vos tornastes filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma” (1 Pe 3.5-7).

Em todo esse contexto a regra áurea deve ser aplicada sempre: “sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21). Ou, como disse o Senhor Jesus: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos” (Mc 9.35). Depois de conhecer, é hora de colocar em prática na nossa vida diária todos esses princípios preciosos. Mais uma vez: os membros da igreja se submetem aos seus anciãos, que por sua vez têm grande responsabilidade diante de Deus. Na família, primeiramente o marido sujeita-se a Cristo. A mulher é instada a sujeitar-se ao marido, e os filhos, por sua vez, obedecem aos pais. Na sociedade, as autoridades são instituídas por Deus (Rm 13) e deveriam governar de forma responsável diante de Deus; o povo deve submeter-se aos líderes e orar por eles.

Quando lemos atentamente as passagens bíblicas citadas percebemos que existem mais exigências voltadas ao comportamento do marido do que ao da mulher! O esposo é instado a amar sua esposa, a sacrificar-se por ela, a respeitá-la e a valorizá-la, não criticando-a nem tratando-a rudemente. O marido deve amar sua esposa da forma que Cristo ama Sua Igreja.

Submissão não significa rebaixamento ou obediência a qualquer custo. Deus não manda que a esposa seja capacho do marido. Submissão bíblica é sujeição voluntária ao parceiro. Mas isso apenas funcionará quando nem um nem outro usar o cônjuge como um meio para alcançar algum fim, ou o relacionamento matrimonial para realizar seus próprios interesses egoístas. No relacionamento entre marido e mulher segundo a Bíblia, nenhum dos dois deve buscar seus próprios alvos egocêntricos ou suas preferências pessoais, antes, cada um deve servir e amar ao outro.

Quando uma esposa experimenta esse amor despreendido de seu marido, procurará fazer-lhe o bem e não terá dificuldades em submeter-se e em deixá-lo assumir a responsabilidade final. Quando a esposa tratá-lo assim, ele terá alegria em desempenhar seu papel, conduzindo sua família e seu casamento da maneira que Deus quer.

E quando um dos cônjuges não é crente? Também nesse caso nós cristãos somos exortados a nos portar segundo os padrões bíblicos. Os maridos crentes devem amar suas esposas não-crentes da forma já descrita: sacrificialmente, com respeito, valorizando-a, não sendo rude, nem magoando-a. As mulheres cristãs também devem comportar-se para com seus maridos não-cristãos como lemos no Novo Testamento: “Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido”. “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor. Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus (Ef 5.24; 1 Pe 3.1-4).

A palavra-chave em todo esse assunto é sempre o amor. Amor que valoriza o próximo, que o honra e demonstra boa vontade, colocando o outro acima de si mesmo. (Samuel Rindlisbacher)

Extraído de Revista Chamada da Meia-Noite Fevereiro de 2013

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Palestina ou Israel – Qual o Nome da Terra Santa?

Thomas S. McCall, Th.D.

Durante os últimos séculos, o mundo, inclusive os cristãos, adotou um hábito ruim. Caímos na armadilha de uma antiga propaganda romana. Temos usado o nome “Palestina”, que foi colocado no país de Israel pelo imperador romano Adriano no ano de 135 d.c. Como essa denominação foi usada durante tanto tempo, esse nome se tornou de uso comum. Porém, ele é tão incorreto quanto seria chamarmos a Rússia de hoje de “União Soviética”, ou nos referirmos atualmente a Berlim como “Alemanha Oriental”.

O uso de “Palestina” na atual propaganda política

Está acontecendo agora uma guerra de propaganda política com o termo “Palestina”. Em um dado momento no passado, pode-se afirmar que “Palestina” era uma designação inócua da área do Oriente Médio que é geralmente entendida como a Terra Santa. Durante as últimas décadas, entretanto, o termo “Palestina” foi adotado pelos árabes que moram em Israel para designar a área a oeste do rio Jordão. O termo é usado especificamente para evitar o uso do nome Israel, e deve ser considerado um termo anti-Israel. Em todos os mapas publicados na Jordânia, no Egito, etc., a área a oeste do Rio Jordão é denominada Palestina, sem qualquer referência a Israel. A Palestina é o termo usado agora por aqueles que querem negar a legítima existência de Israel como uma nação genuína dentre a família das nações.

O termo agora adotado pela entidade política dentro de Israel que está gradativamente obtendo mais e mais porções de território através do “processo de paz” é Autoridade Palestina (AP). Embora tenha que tratar diariamente com os documentos oficiais israelenses, a AP odeia usar o termo Israel em qualquer uma de suas comunicações.

Portanto, “Palestina” deve agora ser considerado um termo de propaganda política com implicações maciçamente anti-Israel. A imprensa mundial usa o termo para questionar a legitimidade do Israel moderno. Os cristãos também têm usado o termo Palestina há séculos para se referirem à Terra Santa. Em tempos passados, isso poderia ser desculpado (embora biblicamente questionável) por causa de seu uso comum. Todavia, à luz da atual guerra de propaganda política contra Israel, os cristãos devem reavaliar o termo “Palestina” e considerar se é um termo bíblica, teológica ou profeticamente correto.

O uso bíblico de “Palestina”

O termo “Palestina”, da forma que foi aplicado à Terra de Israel, foi inventado pelo inveterado inimigo da Bíblia e do povo judeu, o imperador Adriano.

O termo Palestina é raramente usado no Antigo Testamento, e quando é usado, refere-se especificamente à área costeira a sudoeste de Israel ocupada pelos filisteus. É a tradução da palavra hebraica “Pilisheth”. O termo nunca é usado para se referir a toda a área de Israel. Antes que Israel se estabelecesse na terra, seria geralmente correto dizer que a área costeira a sudoeste era denominada Filístia (o Caminho dos Filisteus, ou Palestina), enquanto que as áreas centrais mais altas eram denominadas Canaã. Tanto os cananeus quanto os filisteus haviam desaparecido como povos distintos pela época do cativeiro de Judá em Babilônia (586 a.C.), e já não mais existem.

No Novo Testamento, o termo Palestina não é usado nenhuma vez. O termo Israel é essencialmente usado para se referir ao povo de Israel, em vez de se referir à Terra. Contudo, em pelo menos duas passagens, Israel é usado para se referir à Terra:

“…um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino. Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe e regressou para a terra de Israel” (Mt 2.20-21).

e

“Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem” (Mt 10.23).

A primeira passagem aconteceu quando José, Maria e Jesus retornaram do Egito para Israel; e a segunda refere-se à proclamação do Evangelho por toda a Terra de Israel. O anjo que falou a José, Mateus e Jesus usam o termo Israel com referência à Terra Santa, embora esse termo não fosse reconhecido pelas autoridades romanas naquela época.

Fica claro, então, que a Bíblia nunca usa o termo Palestina para se referir à Terra Santa como um todo, e que os mapas bíblicos que se referem à Palestina no Antigo e no Novo Testamento são, na melhor das hipóteses, imprecisos, e, na pior das hipóteses, são uma negação consciente do nome bíblico de Israel.

A história do termo “Palestina”

Onde se originou o termo “Palestina”? Como foi que o mundo e a Igreja adotaram o hábito de chamar a terra de Israel de “Palestina”? Um dos guias em nossas turnês a Israel é Zvi Rivai, um israelense cristão messiânico, que já fez consideráveis pesquisas sobre o assunto. Zvi nos informa que, antes do ano 135 d.C., os romanos usavam os termos Judéia e Galiléia para se referir à Terra de Israel. Quando Tito destruiu Jerusalém no ano 70 d.C., o governo romano cunhou uma moeda com a inscrição Iudea Capta, querendo dizer “a Judéia foi capturada”. O termo “Palestina” nunca foi usado nas designações romanas antigas.

Foi apenas quando os romanos aniquilaram a segunda revolta dos judeus contra Roma, liderada por Bar Kochba, em 135 d.C., que o imperador Adriano aplicou o termo “Palestina” à Terra de Israel. Adriano, como muitos ditadores de seu tempo, percebeu o poder da propaganda política dos termos e dos símbolos. Ele substituiu os santuários do Templo Judeu e do Sepulcro de Cristo em Jerusalém por templos a deidades pagãs. Ele mudou o nome de Jerusalém para Aelia Capitolina, e mudou o nome de Israel e da Judéia para Palestina. A escolha do termo Palestina por Adriano foi proposital, não acidental. Ele tomou o nome dos antigos inimigos de Israel, os filisteus, latinizou o termo para Palestina, e aplicou-o à Terra de Israel. Ele esperava apagar o nome de Israel de todas as memórias. Desse modo, o termo “Palestina”, da forma que foi aplicado à Terra de Israel, foi inventado pelo inveterado inimigo da Bíblia e do povo judeu, o imperador Adriano.

É interessante observar que os filisteus originais não eram, de forma nenhuma, do Oriente Médio. Eram povos europeus do Mar Adriático próximo à Grécia. Deve ter dado prazer a Adriano usar esse termo helenista para a terra dos judeus. De qualquer modo, o termo original “palestinos” não tem absolutamente nada a ver com os árabes.

A adoção do termo “Palestina” pelos cristãos

Um dos primeiros usos do termo “Palestina” é encontrado nos trabalhos de Eusébio, o historiador da Igreja, que vivia em Cesaréia. Ele escreveu em torno do ano 300 d.C., uma vez que a perseguição romana aos cristãos estava terminando e o imperador Constantino começava a aceitar o cristianismo como legal. Eusébio não aceitou a designação Aelia Capitolina que Adriano deu a Jerusalém, mas usou o termo “Palestina”. O próprio Eusébio considerava ser um dos bispos da Palestina. Assim, o nome anti-Israel e anticristão de “Palestina” foi assimilado ao vocabulário da Igreja à medida que o Império Bizantino ia sendo estabelecido.

Desde aquela época, a Igreja tem usado amplamente o termo “Palestina” na literatura e nos mapas para se referir à Terra de Israel. Não obstante, deve-se observar que as Cruzadas chamavam sua terra de Reino de Jerusalém. Entretanto, quando os britânicos receberam o mandato, depois da Primeira Guerra Mundial, eles chamavam os dois lados do rio Jordão de Palestina. Esse se tornou um termo geopolítico aceito por várias décadas, e aqueles que viviam naquela terra eram chamados de palestinos, sendo eles judeus, árabes ou europeus.

Nunca houve uma Palestina na época de Jesus. Esta é uma grave identificação incorreta. Seria algo como olhar um moderno mapa do estado do Texas com o título “O México no Século XX”.

Até mesmo cristãos evangélicos que crêem no futuro de Israel têm usado o termo “Palestina”. No final de muitas bíblias há mapas intitulados “A Palestina no Tempo de Jesus”. Nunca houve uma Palestina na época de Jesus. Esta é uma grave identificação incorreta. Seria algo como olhar um moderno mapa do estado do Texas com o título “O México no Século XX”.

Parece que os cristãos que crêem na Bíblia, seja consciente ou inadvertidamente, têm seguido o mundo, os pagãos e os que odeiam Israel ao chamarem Israel pelo nome anti-Israel de “Palestina”. Esse nome é encontrado em muitos mapas bíblicos, em comentários bíblicos e em livros-texto.

A designação adequada da terra

O uso do termo “Palestina” foi inadequado biblicamente e errado em toda a era da Igreja. Contudo, é mais do que apenas errado, é devastador quando, em nossos dias, o termo “Palestina” é a pedra de esquina da guerra da propaganda política contra Israel e contra o povo judeu. Será que queremos usar termos inventados por aqueles que odeiam a Cristo, a Bíblia e Israel? Será que queremos utilizar termos usados pelos inimigos de Israel que desejam realizar nada menos do que a destruição do povo judeu? Acho que não!

Os cristãos deveriam usar a terminologia da Bíblia sempre que possível. Por que não voltamos aos termos usados no Novo Testamento? Os escritores dos Evangelhos usaram o termo “Israel” para se referirem à Terra Santa. Por que deveríamos usar qualquer outro termo quando nos referimos à Terra Santa, especialmente agora que os judeus estão de volta a ela e se restabeleceram como a nação de Israel dentre a família das nações?

À medida que nos aproximamos da Segunda Vinda de Cristo, devemos entender que a fúria de Satanás contra a Igreja e contra Israel irá crescer exponencialmente. Satanás odeia o Evangelho do Messias crucificado e ressurreto, e odeia a realidade da restauração de Israel como nação que finalmente receberá Jesus como Messias em Seu retorno, e a nação que será o quartel-general terreno de Cristo. O único termo que devemos usar para a Terra Santa é Israel, ou suas subdivisões: Judéia, Samaria e Galiléia. Deveríamos empreender todos os esforços para remover o termo “Palestina” de nossos mapas bíblicos e de nossos livros-texto, e usar apenas termos bíblicos com referência à Terra Santa de Israel. (Thomas S. McCall, Th.D. – Pre-Trib Research Center –http://www.beth-shalom.com.br)

Extraído de Revista Notícias de Israel março de 2011

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Nepotismo e família

por José San Martín Camiña Neto

Além dos atos de nepotismo está uma realidade divina: o amor que une os membros da família. Também nos leva ao Pai cego de amor, que corre em direção ao pródigo

A raiz do nepotismo* está ligada diretamente aos laços de afeto entre entes queridos que desejam o bem dos filhos, sobrinhos, esposas, esposos e amigos. Por trás dos argumentos dos parlamentares, juízes, governantes e outros que defendem o emprego de parentes está uma tentativa de dizer: “se posso ajudar alguém, por que não aqueles a quem amo?”. O nepotismo é ruim por excluir pessoas que se esforçaram para passar num concurso. É ruim por ser antidemocrático. É ruim por agravar desigualdades sociais. Isso é indiscutível. Mas não podemos deixar de lembrar o que o origina: os laços familiares. O que eu quero dizer é que família é símbolo de sociedade sadia. Qualquer pai ou mãe fará tudo por seus filhos. Uns, que chegam a um degrau importante na sociedade, erram em beneficiar os seus, e acabam sendo alvo da legislação antinepotismo. Paciência. É uma tentação como qualquer outra: tentar satisfazer um desejo legítimo, porém da forma inadequada. E, como toda tentação, tem de ser resistida e vencida.

A Bíblia, como Carta de Deus à humanidade decaída, conta histórias de seres humanos como nós. Fala de nepotismo. Por exemplo, fala da complacência do sacerdote Eli com os filhos malignos, a conivência de Davi com Absalão desobediente, da astúcia de Rebeca para favorecer Jacó a Esaú, a matança praticada por Levi e Simeão contra os que violentaram sua irmã Diná, a dor de Maria diante do Salvador massacrado e crucificado como maldito. O desespero de pais devido ao sofrimento dos filhos acometidos por demônios e doenças: Jairo, a siro-fenícia, o centurião romano, a viúva de Naim. A tentativa incoerente da mãe dos filhos de Zebedeu em garantir um lugar de destaque para eles no céu! A dor de Deus ao ouvir seu Filho Amado clamar: “Por que me desamparaste?…”

A Bíblia fala, acima de tudo, de um Pai amoroso que espera o filho pródigo e indigno aos olhos dos outros. Essa é a mensagem especial deixada pela parábola do gastador e boêmio. E há o detalhe da corrida do pai ao encontro do amado filho numa cultura em que isso era algo inconveniente a um homem do seu status. Antes, viu-o de longe. Todos os dias, a saudade levava-o a olhar para o horizonte na esperança de ver o jovem a caminho de casa. Aquele dia a visão de alguém cambaleante avivou seu coração. Apesar da aparência de um mendigo, pôde reconhecer aqueles passos, o jeito de mexer os braços, levantar a cabeça. Era ele! O perdido que foi achado, o morto que ressuscitou! Abraço demorado. Lágrimas ao pescoço. Nada de racionalizações sobre erros passados. Nada de “jogar na cara”. Nada de cobranças, ‘pitos’ antecedendo a restauração ao ambiente protegido do lar.

A Bíblia, como Carta de Deus à humanidade decaída, conta histórias de seres humanos como nós. Fala de nepotismo. Por exemplo, fala da complacência do sacerdote Eli com os filhos malignos, a conivência de Davi com Absalão desobediente, da astúcia de Rebeca para favorecer Jacó a Esaú, o massacre praticado por Levi e Simeão contra os que violentaram sua irmã Diná, a dor de Maria, diante do Salvador massacrado e crucificado como maldito

Deus, o Pai amoroso desconhecido dos muçulmanos. O Deus carrasco dos santarrões e legalistas na igreja, o perdoador dos pecadores ansiosos por atirar a primeira pedra, sem notar que são tão pecadores quanto o infrator exposto ao ridículo. Deus-homem que levou sobre Si nossas dores, enfermidades, preocupações e ansiedades. Deus-conosco que teve grande compaixão das multidões dos que andavam desgarrados como ovelhas sem pastor. Pai incomparável, pois ninguém tem maior amor do que este: de dar a sua vida em favor dos seus amigos. Se Ele pudesse nos colocar nas melhores posições Ele faria. Mas a dureza do coração humano em achar que pode ser independente dos Seus cuidados, e do Seu amor, leva muitos à perdição e à morte. Rejeitam a salvação, os “cem vezes tanto nesta vida e depois a vida eterna” por migalhas do mundo que está no maligno.

Não à toa, ao longo dos séculos e nas páginas da Bíblia, o Pai cheio de amor está a chamar: “Filho meu, dá-me o teu coração”. “Quis ajuntá-los como a galinha ajunta os seus pintainhos”, “voltem para mim e sereis salvos”, “Estou à porta e bato”, “Não endureçais o vosso coração”. Para que viver sofrendo e sem rumo, se fora dos caminhos do Pai não há certeza alguma do amanhã? Para que persistir na desesperança que surge das muitas “alegrias” da prostituição, da corrupção, da fama, do sucesso, da independência frágil, da obstinação inútil no momento da dor?

Esta é uma mensagem para você, filho distante do Pai. Você dentro ou fora da igreja, que não tem o Senhor entronizado em seu coração. Não queira deixar de ouvir o toque da trombeta que anunciará o arrebatamento dos salvos para morar eternamente com o Pai celeste. Nada pode superar esse objetivo por meio de uma vida vivida na direção, na vontade dEle. Levante-se, reconheça sua incapacidade de vencer sozinho. Chega das bolotas dos porcos. Há um Deus esperando diuturnamente sua volta à casa paternal. “Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração. Eis, agora, o dia aceitável, eis, agora, o dia da salvação”.

* Nepotismo: 1. política adotada por certos papas que consistia em favorecer sistematicamente suas famílias. 2. Distribuição de cargos públicos entre parentes ou amigos. 3. Favoritismo, proteção escandalosa.
Ilustração do artigo: “O filho pródigo” de Rembrandt

José San Martín Camiña Neto é ministro evangélico. Recebeu os diplomas de jornalista e radialista pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). É responsável pelo Departamento de Jornalismo da Rádio Educativa Evangélica Nazareno FM em Cuiabá-MT

Contato: josesanmartin.jor@gmail.com
Dedico a Deus o que escrevi!